O Fronteira Continua - Reprises no Cine Cultura - 30/03 a 05/04

25/03/17

O Fronteira continua...

 

Entre os dias 30 de março e 05 de abril o Fronteira Festival vai reprisar no Cine Cultura parte de sua programação que é totalmente inédita em Goiânia. Serão mostrados os seis filmes de longa-metragem da mostra competitiva internacional, além dos curtas metragens vencedores da competição de curtas e também uma parte de suas exibições especiais. O longa brasileiro de Aloysio Raulino, Noites Paraguayas (1982), será apresentado em cópia restaurada juntamente com alguns dos principais curtas-metragens do cineasta que teve sua filmografia completa recentemente reunida em um box de DVD’s produzido pelo CTAv – Centro Técnico Audiovisual. O box será distribuído gratuitamente para o público presente nas sessões.

Segundo os organizadores do Fronteira, esta segunda chance para o público é gratificante, porque amplia a possibilidade de acesso aos filmes, que são raros no Brasil e profundamente impactantes para o contexto político contemporâneo. Todas as reprises no Cine Cultura serão gratuitas.

 

A eterna homenagem do Fronteira à Andrea Tonacci

 

Em sua terceira edição o Fronteira Festival dedicou sua programação ao cineasta italiano radicado no Brasil, Andrea Tonacci, nascido em Roma em setembro de 1944 e falecido em São Paulo em dezembro de 2016. Conectado à obra e a figura sensacional de Andrea nasceu o Fronteira em 2014, fazendo a maior retrospectiva de seus filmes no Brasil, entre títulos de cinema, institucionais, educativos, publicitários e até mesmo filmes inacabados. Já na primeira edição, relataram os criadores do festival, que a existência da obra de Tonacci era uma das motivações para criação do projeto, uma vez que vinha dele a precepção da fronteira como lugar do humano e do cinema que é capaz de reinventar-se incansavelmente. A mostra retrospectiva de 2014 contou com a presença do diretor que é um dos principais nomes do Cinema Marginal, movimento cinematográfico da década de 1970, que construiu sua obra de forma independente e com parcos recursos, se recusando a submeter sua obra aos caprichos de editais de incentivo. Em 2015, novamente o Fronteira contou com a presença ilustre de Tonacci, como presidente do júri oficial.

 

Importante destacar o trabalho do cineasta que foi revisitado pelo público brasileiro em 2006, com o premiado “Serras da Desordem”, que narra a saga do índio Carapiru que sobrevive ao massacre de sua tribo e vai parar em Brasília. Segundo as falas de seus companheiros de jornada, Tonacci foi um trabalhador das artes que não se desviou nenhum centímetro de suas questões éticas. Morreu aos 72 anos, deixando uma obra significativa, das mais belas obras do cinema brasileiro. E com a fala dele é que encerramos nossa jornada até a linha de fronteira, onde encontramos os outros.

 

“Existe uma consciência de que a imagem é tão importante, tão forte, um afeto tão vivo, tão interferente na vida, que não é meramente um espetáculo, um divertimento, um passatempo, entretenimento. O que é isso? Isso é coisa dos americanos ou do que a indústria faz com o cinema. Mas o cinema que é a mente da gente, todas essas coisas, fusões, cortes, sobreposições, flashback, flashfoward, está tudo aqui na nossa cabeça. A máquina é uma invenção do homem. É uma forma de tentar colocar a mente no mundo, em imagens. A imagem então é viva, um ser vivo, que interefere na vida. Então, o sentido é mais de responsalibidade de fazer imagens e colocar imagens no mundo, diante dos outros. Porque você está interferindo. Você está criando uma situação no mundo com as imagens. Essa é uma responsabilidade. Isso vem lá de atrás… Rosselini. A profissão qual é? Ser homem.” Andrea Tonacci